terça-feira, 15 de maio de 2012

Novas fábricas acirram mercado de cimento no Ceará

Principal insumo da construção civil, o cimento é consumido largamente pelas construtoras e, individualmente, pelo consumidor, que faz reformas e ampliações durante o ano. A grande oscilação de preços e até a falta do produto nos últimos anos dão sinais de ter chegado ao fim. A entrada do cimento Apodi no mercado do Ceará há um ano e de, pelo menos, outras quatro marcas ajudou a regular o mercado, hoje mais abastecido e com preços mais estáveis. “Há quatro anos, só havia duas marcas no mercado e hoje são sete”, diz o proprietário da Vasconcelos Cimentos, Iran Filho, ressaltando que o abastecimento e a competitividade estão maiores. Adianta que o Nordeste vai ficar parecido com o Sudeste na quantidade de marcas ofertadas. “É bom para o consumidor final e para o revendedor”. A Vasconcelos, com três unidades, distribui em torno de cinco mil sacas por dia. De acordo com o presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), Marcos Novaes, com a entrada da Apodi, a relação oferta-demanda se equilibrou. Acrescenta que o momento de alta demanda de cimento justifica o Projeto da Companhia Industrial de Cimento Apodi, desenvolvido pelos grupos M. Dias Branco, Cedro, de Brasília, e Coopercon-CE, para montar uma fábrica 100% cearense. A moageira, montada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), em março de 2011, foi o primeiro passo. A unidade, que já produz 1,5 mil toneladas por dia - o equivalente a 45 mil toneladas mensais -, traz da China o clínquer (componente da produção), moído e adicionado a outros aditivos que vão formar o cimento.
Sobre o resultado desse trabalho, Novaes diz que “estamos contribuindo como agente regulador de mercado, atendendo a demanda que superou a capacidade produtiva do Estado até então e evitando os aumentos de preços”. O cimento Apodi atende às empresas cooperadas, 77 construtoras e, o excedente, vai à demanda do varejo. Além das marcas Poty, Nassau e Apodi, o Ceará comercializa o Campeão, da francesa Lafarge (maior fabricante de cimento do mundo); Cimpor, da Cimento Portugal (antiga Zebu); CSN, da Companhia Siderúrgica Nacional, que importa da Turquia, embala no Rio de Janeiro e distribui no Nordeste e do Mizu Cimento.
“Consumidor formiga”
Há quem diga até que o varejo representa mais de 70% do consumo de cimento no Brasil. Mas uma pesquisa recente, encomendada pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), que representa dez grupos fabricantes, diz que não. De acordo com esse trabalho da Galanto Consultoria, o “consumidor formiga”, como são chamadas as pessoas ou famílias que adquirem cimento diretamente para erguer uma obra, reformar a casa ou fazer um “puxadinho” no fundo da moradia, responde por pouco mais de um quinto do total do consumo nacional e não por metade ou dois terços como imaginava o setor, a construção civil e até economistas.

O Povo

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