
As agressões físicas e psicológicas, comumente chamadas de bullying, têm acontecido com frequência nas escolas do Ceará. Somente este ano, cinco casos de mortes já foram registrados no Estado, praticamente uma ocorrência por mês. A onda de agressões reacende o debate sobre o que fazer para prevenir tanta violência. Para a coordenadora do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca), Margarida Marques, a falta de acompanhamento dos alunos e da intermediação de conflitos dentro das instituições contribuem para o problema. Para ela, é preciso, em primeiro lugar, que os gestores em educação no Estado e no Municípios reconheçam que existe a questão e que ela é grave. Para ela, este é um problema afeta toda a sociedade. Existe violência moral, intimidação ou bullying nas escolas de todos os países. "O certo é que este comportamento não está restrito a nenhum tipo de instituição. Além disso, a única forma de evitá-lo é uma ampla discussão e a orientação particular de casos observados. Na avaliação da mestre em Educação e Ciências Sociais, Rosana Maria César Del Picchia, nossas crianças, ou a maioria delas, está em contato com atos violentos em todas as esferas de seu relacionamento. Comportamentos de pressão, opressão, intimidação, gozação, perseguição são comuns para elas. Obviamente, nem todos estes acontecimentos podem ser caracterizados como bullying que é um comportamento recorrente e causa baixa autoestima e insegurança em seus atores. Normalmente existem três tipos de envolvidos em uma situação de violência moral: o espectador, a vítima e o agressor. O espectador é aquele que vê diariamente as situações de bullying e torna-se inseguro e temeroso. A vítima é frágil, frequentemente ameaçada, intimidada, isolada, ofendida, discriminada, agredida, recebe apelidos e provocações, tem seus objetos pessoais furtados ou quebrados. Normalmente mostra-se arredia, demonstra medo ou receio de ir para escola e não procura ajuda. A pessoa que comete a violência normalmente aprendeu a usar um comportamento agressivo com os adultos para resolver seus problemas. Apresenta um comportamento de intimidação e provocador permanente. Acha que todos devem atender seus desejos de imediato e demonstra dificuldade de colocar-se no lugar do outro. O primeiro caso de violência no Ceará aconteceu em 28 de março de 2011, no colégio Polivalente, quando um jovem foi morto. No mês seguinte, no dia 26, um assaltante invadiu uma escola e acabou sendo morto por um segurança, em Sobral. No dia 4 de maio, o aluno Alessandro Rosa da Silva, de 23 anos, morreu dentro da escola Joaquim Alves, no Pan Americano. Em junho deste ano, Ivambergue Araújo da Silva, 16 anos, foi morto na escola Santo Amaro, no Bom Jardim. Na última terça-feira, a menina de 17 anos, Itamara Monteiro, foi morta com um golpe de faca por uma colega, no Centro Integrado de Educação e Saúde (Cies), na Lagoa Redonda. A Secretaria Municipal de Educação (SME) informa que o fato ocorrido na escola Terezinha Parente é considerado isolado já que o bairro e a escola são considerados calmos e que a escola possui seguranças, além de reforço das rondas preventivas da Guarda Municipal. Em nota, a SME ressalta que a Prefeitura desenvolve várias ações para minimizar a violência, como o programa Território da Paz. Os profissionais de educação também são orientados, dentro do projeto de capacitação Escola que Protege. Já a Secretaria de Educação do Estado (Seduc), a fim de evitar que novos casos tem investido em ações de incentivo à cultura de paz. Uma delas é a implantação das Comissões de Atendimento, Notificação e Prevenção à Violência Domésticas à Crianças e Adolescentes nas Escolas Públicas. Além disso, em setembro do ano passado, a Seduc assinou acordo de cooperação técnica com a Unesco e a Universidade Estadual do Ceará (Uece) para viabilizar o Programa Geração da Paz.
DN