
A chegada das chuvas potencializa a disseminação de várias doenças. Os donos de cães devem evitar ao máximo a aglomeração dos animais para prevenir principalmente doenças infecto-contagiosas (viroses), endoparasitárias (verminoses) e também a chamada gripe canina, ou tosse de canis. De imediato, os animais domésticos ficam mais suscetíveis às infecções intestinais e diarreias, por exemplo. O alerta é feito pelo veterinário Márcio Araújo, do Pronto Socorro Veterinário. Ele mostra que, neste período, os cães podem ser acometidos por uma série de vermes, que se instalam principalmente no sistema digestivo. "As primeiras chuvas carregam fezes de animais para os mananciais, poços, cacimbas e outras fontes de água". As infestações costumam resultar da ingestão de ovos ou larvas presentes no ambiente contaminado, mas também existem os casos da penetração de larvas pela pele por algumas espécies de vermes. Alguns são adquiridos por meio da ingestão de hospedeiros intermediários, como pulgas que podem conter larvas de vermes em seus tecidos. "Os principais sintomas das verminoses são a perda de peso, a falta de apetite ou a ingestão de terra, a anemia, a apatia, a diarreia, a dor abdominal, vômitos, podendo também ocorrer episódios de coceira na região anal e presença de vermes nas fezes", explica ele. Para combater o mal, ele diz que a vermifugação de rotina deve ser realiza sempre antes da cobertura de cadelas e antes do parto também é importante realizar o procedimento, para que os filhotes não adquiram o problema. Os vermes que mais comumente acometem os cães são: lombrigas (Toxocara canis - causa zoonose conhecida como larva migrans visceral nos seres humanos; Toxocara cati; Toxascaris leonina), ancilostomas (Ancylostoma caninum, Ancylostoma braziliense - este causador do bicho geográfico) e tênias. "O controle é de extrema importância para a saúde do animal de estimação, bem como para os proprietários. Atualmente, já existem produtos destinados ao uso de animais adultos e filhotes", explica o veterinário. Outra doença muito comum neste período é a tosse dos canis. Trata-se da traqueobronquite infecciosa canina, causada principalmente por três agentes infecciosos: a bactéria Bordetella bronchiseptica e os vírus Parainfluienza e Adenovírus tipo 2, agindo de forma isolada ou em combinação. Sua transmissão ocorre por meio do ar, especialmente no contato de cães com outros animais em parques, praças, canis, hotéis para cachorros, abrigos, loja de animais, entre outros. Outros sintomas, como secreção nasal, falta de apetite e febre, podem ser indícios de quadros mais graves da gripe canina. Márcio Araújo diz que o importante a ser observado é que a Bordetella bronchiseptica pode acometer humanos, sendo por isso considerada uma zoonose. "Normalmente nos cães acometidos pela gripe, os principais sintomas observados são acessos de uma tosse seca, parecendo que o animal está engasgado, às vezes, expectorando um tipo de espuma branca. Essa tosse costuma piorar com exercícios físicos, agitação ou mesmo pela própria pressão da coleira", alerta. Quanto ao tratamento, no caso da forma mais branda da doença, deve ocorrer de 7 a 14 dias. Nos cães com sinais suaves não precisa terapia específica. Nos casos mais graves, com o envolvimento do trato respiratório inferior, o tratamento é feito por meio da administração de antibióticos. O veterinário diz que, além da antibioticoterapia, tratamentos podem ser necessários para supressão da inflamação e manutenção da desobstrução dos brônquios. "Corticosteroides podem ser usados na redução da inflamação do trato respiratório, que pode ser promovida pela tosse persistente. Não podemos esquecer que, para este tratamento, a avaliação do médico veterinário se torna essencial para que se determine o melhor tratamento de acordo com o nível da doença", adverte ele. Para prevenir, o ideal é manter a vacinação em dia. Além da vacina antirrábica e da octupla ou múltipla, que previne contra cinomose, hepatite, leptospirose, parvovirose, coronavirus e parainfluenza, os animais podem receber proteção contra a tosse dos canis anualmente. A prevenção pode ser feita a partir dos dois meses de vida. Ele diz que a imunização eficiente é essencial para evitar doenças no período em que os animais estão mais vulneráveis. "Quem tem animal de estimação em casa, sabe como é importante manter as vacinas em dia. Não somente para preservar o bem estar dos cães, mas também para evitar problemas com a própria saúde e dos familiares, já que muitas doenças também são transmissíveis aos seres humanos. A aplicação das vacinas permite ao animal uma vida longa e saudável, motivo de retribuição e carinho para este amigo de quatro patas", afirma.
Diario do Nordeste